MITO OU VERDADE: Imóveis são sempre bons investimentos?
Entretanto, Massaro alerta que no mercado acionário, as negociações são mediadas pela BM&FBovespa. "Se dá alguma coisa errada na compra do imóvel, mesmo sendo realizada por intermédio de um corretor, o investidor não tem a figura da bolsa. Tem que resolver na justiça", enfatiza.
Para Marcus Quintella, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), há pelo menos quatro níveis de risco nesta modalidade: Vacancia, quando o dono do imóvel não consegue alugar. "Hoje a oferta está muito grande tanto para alugar quanto para vender"; Inadimplência; Deterioração do imóvel com o tempo. "A cada dois anos e meio é preciso fazer a manutenção" e a Liquidez. "Não é possível vender um imóvel de um dia para outro".
De acordo com o especialista da MoneyFit, comprar para não alugar ou não ter planos para o futuro é ter em mãos um investimento ruim que ainda gera despesa. "É um bom investimento, mas tem depreciação com prejuízo financeiro, pagamento de impostos, condomínio, manutenção etc", lembra André.
Quintella lembra ainda que, no imposto de renda pessoa física, o aluguel incide como renda e deve ser declarado. "É preciso pagar o imposto anualmente". Quando comparado à caderneta de poupança, o investimento fica ainda menos atrativo. Numa hipótese de um imóvel de R$ 600 mil e aluguel de R$ 2 mil, o retorno é de menos de 0,4%, enquanto que a poupança, numa mesma situação renderia, por mês, algo em torno de R$ 3 mil.
"O investimento deve priorizar a rentabilidade", afirma o consultor Gustavo de Carvalho Chaves Melo, diretor da G9 Investimentos.
No entanto, o consultor avalia que, como investimento para complemento previdenciário ou de renda, é possível ter no imóvel uma boa alternativa. "Para se ter vantagem é preciso comprar em deságio, de preferência em leilões, locais onde é possível comprar com grande desconto", diz.
Alternativas
Chaves Mello cita o "pool imobiliário" como uma boa opção para quem pretende investir em imóveis. Neste tipo de operação, algumas pessoas se juntam para comprar um mesmo empreendimento (um prédio, por exemplo). "Nos Estados Unidos e Oceania este tipo é bastante comum".
Outra prática é um proprietário de terreno agregar amigos e buscar uma construtora para executar a obra. Neste caso, o dono do terreno estabelece uma permuta, onde ele recebe algumas unidades.
Há ainda os fundos imobiliários, voltados para quem quer ter uma exposição em imóveis, mas quer se livrar de trâmites burocráticos como contratos, procurações etc. Estas carteiras têm seus investimentos lastreados em imóveis que possuem rendimentos provenientes de aluguéis.
Entre as vantagens estão a possibilidade de ter acesso a grandes inquilinos com poucos recursos, fato que, muitas vezes, um investidor sozinho seria impossível conseguir.
Porém, alerta Massaro, no Brasil eles ainda são pouco populares e as carteiras são fechadas, onde o investidor não pode resgatar, só se vender a cota em bolsa (no mercado de balcão) ou esperar chegar ao final do investimento. "É um bom negócio sem os trâmites legais. Só que o mercado ainda não está totalmente desenvolvido no Brasil". Hoje há cerca de 90 fundos imobiliários, de acordo com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Dicas
Os três especialistas ouvidos pelo Último Instante dão algumas dicas para quem quer investir no mercado imobiliário. De acordo com o professor da FGV, quanto maior for o valor do imóvel menor a rentabilidade. "É preciso conhecer bem o mercado. Tem risco como em todo investimento. Quando o imóvel tem um valor muito alto dificilmente o aluguel supera 0,5% do valor total".
O consultor da G9 Investimentos alerta para o excesso de oferta com preço elevado. "Muita oferta significa que vai pagar mais, principalmente os imóveis residenciais. É preciso ficar atento no curto prazo. Tente esperar para quando o preço voltar à realidade", garante. Em 2009, os preços dos imóveis estavam 22% mais altos, em média.
Chaves Mello recomenda cuidado também com o preço fictício. "O mercado imobiliário tem crescido muito, mas às custas de alto grau de endividamento das pessoas e famílias. Em 20 anos o imóvel já está obsoleto, sem a mesma liquidez e valorização", enfatiza.
Para André Massaro, da Moneyfit, o investidor deve considerar primeiro o mercado de ações. Segundo o especialista, se a pessoa tiver algo em torno de R$ 300 mil para investir deve formar uma carteira diversificada de ações."O impacto se uma ação cair é menor. No imóvel o risco é muito concentrado. O inquilino vai embora e vira dor de cabeça".
Todos, porém, concordam com uma coisa: É preciso se informar bastante sobre o mercado para saber as minúcias. E lembre-se: pendências normalmente são resolvidas na justiça.
(Priscila Dadona - www.ultimoinstante.com.br)




